terça-feira, 8 de dezembro de 2009


"Gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não-pronta e vai se fazendo."



O grande desafio humano é resistir a sedução do repouso, pois nascemos para caminhar e nunca para nos satisfazer com as coisas como estão. A insatisfação é um elemento indispensável para quemm mais do que repetir, deseja criar, inovar, refazer, modificar, aperfeiçoar.



Assumir esse compromisso é aceitar o desafio de construir uma existencia menos confortavel, porém ilimitada e infinitamente mais significativa e gratificante.



(Mario Sergio Cortella - In: Não nascemos prontos!, Provocações filosóficas, 8ºed. Ed. Vozes)

domingo, 6 de dezembro de 2009

“Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
- mas só esse eu não farei.”


(Cecília Meireles )

Ainda é preciso a mutuabilidade.
Certas coisas precisam de reciprocipicidade.
Não quebrarei esse silencio, custa-me muito.
Custa-me um punhado de sentimentos
E uma cede que não sede.
Esse porto que não me recebe como viajante
Marinheiro de uma tarde só
Esquece que de mim fica muito
Mas pouco ainda consigo levar
E ainda levo-o todos os dias
E à meia-noite fico a esperar
Espreitando por cima do muro
Por todas as horas da madrugada da sexta-feira.
E sobra-me o sal... o excessivo sal
Que não deixa a raiz brotar e trazer mais significados.
Ainda há ausencia, pois meu chamado ainda é fragil demais...
Para que eu seja uma musica ao teu ouvido...

domingo, 22 de novembro de 2009

eu sou a inconstancia e o perigo.
aquilo que beija e morde
que faz da noite um dia novo
e dos lençois a tua manta de rei.

eu sou o principio da queda de um precipicio
o medo de olhar para o ontem
a bebida que brinda o arrependimento
sou teu porre e a tua sensatez

sou a loucura que te embriga
e leva ate o ultimo dia de vida
sou a tua falta de nexo e beleza
e a tua caricia mais desejada

sou a tua adormencia credulidade nesse mundo
a suavidade da dor que a saudade deixa
a insistente necessidade de estar
o cheiro do que é doce e bom
mas impuro e intocavel

sou a tua rebeldia em querer o que não é teu
a tua madrugada quente de insonia
teu ultimo pensamento antes de dormir (eu sei)
o ultimo plano, mas o mais emergente

eu sou uma mácula ja tatuada
sou a indecencia quando me olhas no espelho
sou tua indefinida forma de amar
a tua temida fuga - o meu olhar...


[distante do mundo, da voz que a muito não ouço
distante percebo a luta para não mais quereres
distante ainda pensas que estas de mim
mas ainda assim
estou mais perto
e sou eu o que procuras ao tentar não me achar...]
ao elo perdido, nessa bibliografia mal referida!
.


participo.

participo de uma nova consciencia coletiva

mas preciso ser unico!

participo de uma coletividade massificada

mas preciso ver o uno.

participo

da minha inconstancia
da minha insistencia em ter dois polos
da extremidade verticalizada
de duas vivas vidas
cheirando a subversão consciente
remedio para minhas duvidas

participo do meus desaprendizado em escolher
o que vestir
o que comer
o que amar
o que olhar
e para o que? e para quem?

eu
eu participo!

fica melhor conjudado - pronome pessoal seguido de verbo no presente do infinitivo...

eu ainda contaria de credito?
ainda valeria?
uma galeria cheia de quadros brancos...

sem saida! sem saida!
a placa esta em outro idioma e aponta uma direção indecifravel ainda!

preciso aprender um outro idioma, uma nova otica, uma nova conotação.
o mundo é grande demais mas não o suficiente para meus medos
tampouco para minha falta de escrupulos.

ser gente... quero ser gente, não um disfarce ambulante do que precisa ser visto...
minha roupa bonitinha - disfarce de bobo da corte.

corto as alianças e todas as palavras de amor proferidas
necessito da verdade diante de mim
corto as amizades esquecidas
afinal, para que serve o passado?
a saudade nem é tão boa de sentir (quase nunca)
so deixa presente o que não foi ou poderia ter sido.

hoje ri.
e participo da ideia do riso.
queria outro sorriso
que não posso ver
nem pedir
ou oferecer...

queria que a distancia fosse elastica
e pudesse comprimir entre os dedos
só pra deixar dias curtos e outros longos.

mas disso eu não participo... só ue eu acho que pode pertencer a mim...
... as ilusões ainda me restam...

.
pensei num tempo razoavel para reavaliações
gastar algumas horas em pensar novas diretrizes
novos segredos e rotas de algum mapa perdido
mas eu ainda que não me encontrei em nenhum caminho
sobrevivo diariamente na selva contruida
por meus insessantes e descretes verbos mal conjugados
entre pessoas e falas e dores que não são minhas
mas acolho-as pois a essencia das coisas ja não consigo enxergar
deixo as vezes minhas sandálias e tento caminhar descalça
achando que em algum lugar as pedras farão efeito
a minha alma hoje um tanto (esquisitamente) insipida
e mesmo na rigidez de alguns sentimentos
a anestesia de muitos dias que se seguem
acabam como num copo de cerveja quente
amarga do inicio ao fim
não tenho como ser doce
nem esperar algo menos amargo
deixo nos teus olhos uma disconfiança disfarçada
de um sentimento desesperador - a necessidade
por esta ser sem nexo e cheia de motivos para não existir...
e assim penso por tantas vezes que ate escuto um longinquo 'adeus'
não vendo mais aquele afago entre os meus dedos
nem nada mais em comum
e isso faz com que meus pés, já nus, sintam a dor mais intensa
onde me curvo, sento, e choro mais uma ultima vez
pois todas são sempre 'a ultima'...
nossos laços estão meio ou quase frouxos
tateamos um amor no escuro de uma floresta brincante
que inventamos para ter sentido em sentir
nosso segredo
nosso olhar
nossa casa meio bagunçada pelos filhos que ainda não vieram
mas que ja fazem parte de um leito de rio
que corre contra o mar

e penso que a vegetação que vejo verde
e que aos poucos vai sumido a cada quilometro rodado
em tantas quintas e sextas-feira
no agreste, secando como eu
que quanto mais longe estou de mim
mais chego perto de você
se é atraves de você que fujo de mim...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

ISSO

. _ .

e 'isso' que chega toma conta
adormece
acorda
levanta
e sai
sem pedir licença
'isso' chega e se vai
se vi as vezes nem sei
nem da tempo
pra 'isso' estabelecer-se
mesmo sabendo que já é
da-se o direito a não escolha
a não ter hora convencional
para deixar meus olhos sorrindo
meus dedos aflitos
e estomago revirado

'isso' não escolhe a medida da saudade
da vontade de não ir
nõe espera recompensas
nem um beijo mais demorado
ao subir as escadas
num canto escuro qualquer

'isso' que não ouso falar, diissertar, nem pensar
nem dei nome
nem acalentei no meu peito (daria trabalho demais!)
chega e vai embora
sorrateiramente
com seu codinome composto
com cheiro bom e de reticencias...

._.

[nem isso!
só meu sorriso o-culto e pronto!]

terça-feira, 20 de outubro de 2009


Dona moça-doida
tem um Senhor meio invocado
perdido nele mesmo
tentando tentativas de se achar
na doidice dela

Eita meu Senhor,
não faz mal um cheirinho de vida!
Não faz mal uma dose de pinga ao fim da tarde
só pra ver dona moça-doida
dançar, mesmo, com os olhos fechadinhos
sob o amarelar de uma tarde quente e sozinha

Ela precisa dessa dança, dessa pinga pra ficar mais proxima da alegria.
Na sua formosura, deixar nos seus labios
um gosto doce de saudade.
Deixa que a doidice que só pertence a ela
leve-o para atras daquele morro.

Lá por tras de onde o vento nem se atreve a passar.
Lá onde entre as coxas te fara sorrir...

Seu moço dos olhos descrentes, que parece que esqueceu como se ri,
Escuta aquela musica que enchia teu coração
de anos atras.
Escuta os passos daquela moça-doida que sabe como ninguem
fazer de dois o numero um.
Auscuta o coração dela que de teimosia não esquece
nem por um so dia, de bater...

Deixa ela vez ou outra espiar pela janela grande
aquele roçado verde e cheio de flor pra se cheirar
e cheio de fruta pra se comer
mesmo que seja com os olhos redondos e arregalados
de vontade, de desejo de voar.

E ela se prenderá no teu pescoço
como uma menina que só quer um colo pra deitar...

É nesse mundo tão particular de sonhos loucos
de fantasias que lhe parecem impossiveis
que se encontram e desencontram os caminhos, os amores e os olhares...
... e é desse modo livre de vestir-de de saia rodada, cabelos rebeldes,
mãos frias e suadas, mordendo levemente os labios
que ela percorre em si
para achá-lo...

[confiando que o diz-credito desse senhor um dia chegue a ser a-credito, apenas a-mor...]

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

"Pode ser que seja normal
Acordar querendo te ver
Pode ser que seja fatal
Para mim, ficar sem você
Pode ser que o amor seja assim
E o remédio seja esperar
Pode ser que eu ria de mim
Quando tudo isso acabar

Antes que eu sinta mais saudades de você
Quem sabe a gente não se encontra pela rua
Ainda é cedo e tudo pode acontecer
A chance é toda sua

Pode ser seu jeito de olhar
Um sorriso basta pra mim
Faz o mundo inteiro parar
Faz o coração dizer sim
Pode ser que eu queira demais
E você nem queira saber
Pode ser que seja fugaz
Mas eu quero estar com você

Eu visto a roupa mais bonita pra te ver
Quem sabe a gente não se encontra pela rua
A noite cai e tudo pode acontecer
Debaixo dessa lua

Bem ou mal
Tudo se mistura, tudo é natural
Prazer e tortura juntos, bem ou mal
Se você quer calma, eu quero um temporal
De amor e prazer"

(Bem ou Mal - Vania Abreu)



...e hoje eu só pensei assim, antes de qualquer coisa
antes de qualquer pessoa uma vontade repentina
de olhar por fora da minha janela
por fora daquela antiga otica
que me prendia dentro de mim mesma...
...e hoje eu so olhei, ao acordar,
meu primeiro olhar foi a rever
um fim de tarde , não, um fim de noite perdido
aos braços, no leito, no sorriso
que me foi dado de presente
que me foi roubado
sem nem imaginar que fazia dessa forma livre de amor
minha silenciosa prisão...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Uma lógica bem definida!


(...)


" Os opostos se distraem
e os dispostos se atraem."

(...)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

.-.
e você me faz bem
meu bem meu bem
você me faz um bem
sem trabalho nenhum
sem cara de paraiso
só o cheiro
de bem
teu bem
me leva pelos dedos
pelos cabelos taõ presos
nos dedos,
nas pernas e nos lençois
na minha doçura comedida
pra deixar apenas um bem doce gosto
nos labios teus
virarem bebida para bem-querer
mais uma vez

.-.

[para um instante filmado, gravado, e insistentemente preso em meus pensamentos...
...todos os momentos e de cabeça para baixo, no paraíso...]

terça-feira, 22 de setembro de 2009

... e as metáforas tão particularmente minhas...

"E quem entende de poesia?"

"Eu não meu senhor!"

Eu brinco apenas com as palavras malfadadas depois de um dia que quase não se acaba!
E me chamam de louca, louca e cheia de devaneios absurdos!
E me dizem: um, que é apenas besteria; outro, que 'adora' as minhas letras!

Entenda que me transporto a um lugar mais desconhecido
Pertinho de um asteroide, vizinho ao do seu vizinho!
Permito-me apenas ecrever cartas sem endereço definido
Para falar entre-linhas do saudosismo do que jamais fui...

E o que é a poesia senão a forma absurda de criar um contexto para o que não se ver, não se toca, apenas se sente...
E o que a poesia senão o mais concreto abstrato
A falta de absurdo e a libdinosidade disfarçada de pudor, de amor

Se tudo e todos no fundo carecem de palavr-as ou -ões!

Se todo mundo carece de um verso malcriado e abandonado entre os lábios, lençois, confetes e serpentinas
O que seria da dor e do amor sem a fonetica amplificada de um poema sofrido ou arrancado de olhos entumecidos

O que seria de um ser que só se vê diante de páginas
em livros pequenos
sussurados a beira de uma madrugada qualquer?

Seria eu mais mortal se de mim tirassem
o remédio
o martelo
o anel esquecido...

... e as metáforas tão particularmente minhas...

[à minha amiga Amalita
a poetisa das escaladas verticais
e de letras e versos e poesia
no sangue, na força e na corda bamba dessa vida!
Vou ainda nesse asteróide!]
o comentario não ficaria sem uma homenagem 'by me'


"Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi:
não soubeque ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo."

(Pablo Neruda)
[ à raiz de um sorriso...
que só particularmente pertence a mim...
... em 22.09, hoje é seu e meu...]

terça-feira, 8 de setembro de 2009

sinto um leve enjoo...
aumentando, aumentando, circulante nas veias
um gosto de fel nos lábios
desilusões nos olhos foscos

hoje a lua esta minguante
assim como o meu espirito que se esvazia...

sinto uma tristeza que daria para dividir com o mundo inteiro...

que afungenta meus desejos
tira meu sono
esmaga com o que me restou de gente
de gente...

não sinto força nenhuma que possa mover mais um suplicio
mais uma ultima respiração
minhas mãos e palpebras estão cansadas demais...
... não consigo mais lamentar, insipida permaneço...

hoje só queria escrever linhas de dor...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

sÓ pOr HoJe...

...

A onda ainda quebra na praia,
Espumas se misturam com o vento.
No dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sentindo saudades do que não foi
Lembrando até do que eu não vivi
pensando nós dois.

Eu lembro a concha em seu ouvido,
Trazendo o barulho do mar na areia.
No dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sozinho olhando o sol morrer
Por entre as ruínas de santa cruz lembrando nós dois

Os edifícios abandonados,
As estradas sem ninguém,
Óleo queimado, as vigas na areia,
A lua nascendo por entre os fios dos teus cabelos,
Por entre os dedos da minha mão passaram certezas e dúvidas

Pois no dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sozinho no mundo, sem ter ninguém,
O último homem no dia em que o sol morreu

...

(o ultimo por-do-sol - lenine)

pReCiSaVa dE uM pOuCo
Do SeU oLhAr
dE eM mUiTo
dE vOcÊ
pRa MiM...
... sÓ pOr HoJe...
eu sei
seu que não preciso saber muito
eu sei que pouco preciso saber
que "saber" nem sempre se sabe
seu real significado
sua dimensão mais proxima
mais condizente com as palavras
perdidas pelo falso estado de sapiencia

hoje eu sei
que preciso saber um pouco menos
sorver vez ou outra a abstração
para não ser sugado pelo olho-gordo
que se avizinha
que espera um minuto de distração
do sim, de: "sim sim senhor!"

preciso saber um pouco menos de mim para não me assutar com meus proprios olhos
cegos... inertes...
para esquecer um pouco de você
saber que não necessito mais de nenhuma aprovação danosa
erva danosa a minha maxima expressividade
a maxima das minhas atitudes
nem sempre conservadas em um pote de vidro

saber menos... ou parecer?

resposta: saber menos

saber mais as vezes é como uma torta recheada de desilusões... camadas e camadas...

hoje prefiro não me esconder como um invisível presente, a espiar... só espiar
ora, que graça isso tem!

preciso só saber menos
para libertar minha alma
deixar-me dançar conforme uma brisa quente
do verão que já se anuncia
sem necessariamente ter que apertar sua mão
daqueles quem nem olham para mim
só por simples educação

então não preciso saber nem mais um pouquinho
de nada... nem do que incomoda
nem do que me apetece
os desejos são voluveis - aprendi
assim como pessoas movidas apenas por desejos
estas são as verdadeiras partes descartaveis do mundo

eu preciso saber um pouco menos
para saber que não sei quase nada
e nem por isso entrar em desespero!
preciso apenas do necessario... viver!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

e cadê as minhas flores?

"Olhei até ficar cansado
De ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado
As flores que estão no canteiro
Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro
Há flores cobrindo o telhado
E embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo

A dor vai curar essas lástimas
O soro tem gosto de lágrimas
As flores têm cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes
Flores
Flores
As flores de plástico não morrem..."

[E hoje eu chorei por ter despedaçado
as flores que estão no canteiro...
perdi com o tempo
e tento rega-las a lágrimas...]
Titãs - Flores

terça-feira, 4 de agosto de 2009

comprei um poema.

era pequenininho
do tamanho do meu interior
dizia breves palavras
diretas

imudeceram ainda mais o meu silêncio
que sempre se acha que o lado pior
é o nosso lado

mas a metade do meu copo ainda está cheio...
a sede porém, permanece maior
que esse poema
comprado ao acaso
na casa de ruas perdidas

e à meia-noite
o meu gato dormia ao meu pé
numa felicidade silenciosa

que inveja!

não consigo dormir
nem silenciar meus insistentes
reberverantes pensamentos
há uma perseguissão solitaria
de mim contra mim (não sei se assassinei o portugues)

sinto falta do poder matriarcal que rege minha casa
engraçado como não se pode devolver a saudade
até de desentendimentos corriqueiros
sinto falta
de tantas lembranças boas
do que já não é mais e nem cabe nesse poeminha
fajuto e pequenino
comprado num brecho de velharias
de velhos dias

falta-me o poder da mudança...

estou cansada
pobre de espirito
e com medo de sentir frio...

esse poema não tem devolução
é escolha de uma mão
faz de um canteiro de flores abandonado
uma visão recolhida...

e eu que pensei que poderia
comprar o que minha alma precisa!

sábado, 18 de julho de 2009

Entre aspas


"intrepido olhar de um anjo
de brilho fosco
sob as nuvens de um cé acinzentado...
passei pela ponte e ainda via o sol escondendo-se para a noite sair
me vi nele
quietinha, escondendo os olhos
sob o oculos
sob a escuridão fria de um canto qualquer de minh'alma

um assobio ouvido de longe
acordou-me daquele marejar
indo e vindo
sob o vai-e-vem da cidade cheia de arrecifes

queria também arrecifes para certas coisas
para não deixar o mar bravo de certos dias
de certas marés de lua cheia
abater-me sem piedade

nesse dia tão sem sentidos
senti uma falta
de algo tão indefinido
senti falta acho que de mim mesma...

não consegui cantar nenhuma canção de ponta de lingua
há tanto tempo não sinto a amizade num daqueles abraços apertados
sair sem rumo e direção, sem prestação de contas

percebi que não devo mais nada a mim mesma...

e via apenas os carros
e onibus
e caminhões
e tratores passarem por mim
quase um atropelamento

meus cinquentas-e-tantos-sapatos
não me servem
tenho apenas dois pés
e eles não me bastam
o chão, a areia e o vento necessitam de mim
e eu deles

entre aspas: preciso de mim...
...de um reencontro
a sós
e com tempo suficiente
só um tempo...

...para ver o sol se por mais um dia
na beira do rio
da minha cidade
e suas pontes."

terça-feira, 7 de julho de 2009

...

A LUA HOJE ESTÁ CHEIA
CHEIA DE SI
BRANCA
E NUA

...

E EU
BRANCA
VESTIDA
E VAZIA DE MIM

...
Esperava por ela havia tempo...
Esperava que ela me olhasse apenas um pouco
E logo depois esquecesse de mim
Por um período não muito longo
Nem muito curto
Para não transparecer minha ansiedade por vê-la
.
Desejava
Desejava...
.
E ela veio
Ela chegou
De salto alto
Cabelos soltos, ao vento
Cintura fina e costas delicadas
Minhas as mãos
Dadas, entre dedos
Entre as margens de um rio
De aguas imisciveis
.
Ela era
De um nome comum
Numa manhã cinza
De teto cor-de-céu
.
Ela sorriu
Sorrateira e despediu-se
Para sabe lá na esquina de minha vida
Desfazer mais uma espera
[a esperança sorriu pra mim
ela me fez um pedido
- ... veja-se!]

A DEVASSA

"numa conversa meio de viés
ele falou
na conversa de pé de ouvido
ele falou
que gostava
que queria
que a chamava quando ninguém ouvia
ele disse
o que até então só os olhos falavam
ele beijou
seus pés pequeninos
enquanto a ouvia
ouvia o seu querer
entre suas pernas
saia o som
a voz do desejo súbito
súbito e permanente
tão paradoxo quanto
tão necessário tanto
e nas suas pupilas dilatadas
e na sua respiração ofegante
ele dizia
dizia...
... o que ela pedia
exigia ser
unicamente
sob os espelhos
no quarto fechado a sete chaves
chaves de aço e segredo
ele dizia sem terminar a palavra por inteiro
sem respirar
que ela era dele
e nada mais..."

[ela só fazia de conta
as vezes só se escondia
para não ser despida demais
mas ele descobriu o seu maior segredo...]
o cansaço se revela na dor em cada musculo
a cada centimetro
em cada passo, cada palavra lida
cada visão oculta de mim

melhor que ir é poder voltar atrás

sem tempo definido, nem historia para re-contar

mesmo sem querer muito
sem certeza para escrever aqui
é bom ainda voltar-se atras e redefinir
ou definir de novo

precisei de mais e novas letras de música
um pouco de melodias velhas, confesso
mas inéditas para meu ouvido a um tempo surdo
precisei do calor de um antigo abraço
que parece que ainda se perpetua
e tenta me enganar que não precisa do meu

e o trabalho me cansa
o que eu não quero mais
o que não sei se me quer
o tempo que ainda repassa o imposto que preciso pagar

queria o "fácil"

alguém pode ceder-me?

para não ser um excesso de absurdo
me disfarço de menina
as vezes até de mulher
para minha mascara "bunitinha"
de porcelana branca
para ludibriar o "cobrador de impostos"
seja ele de definições, decisões ou desilusões...

sexta-feira, 19 de junho de 2009

a uma veia da minha raíz

"Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão

Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock’n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim"

(O quereres - Caetano)


[lembrando de um querer
sob a chuva fina caindo numa manhã cinza
um querer ainda contraditório
em mão unica...
...uma veia da minha raiz]

domingo, 24 de maio de 2009

Maceió - na estrada...

São tão pequenas as coisas que podem trazer felicidade. As vezes apenas olhar o mar pode ser suficiente alimento para alma, para mais um por-de-sol. Essencialmente necessario é poder encontrar na imensidão de tantos formatos de coisas, palavras e circunstancias esse pequenos motivos.


Percebo um barulho vindo de longe... mas perece-me cada vez mais perto. Parece ser de transformação, uma nova mudança. Acho que meus pensamentos estão tomando novos rumos, deixando as escolhas passadas no passado. Respiro ar puro.


O que era uma lembraça constante, hoje dá espaço ao novo, a nova esperança, a não esparar sentada vendo o tempo, as pessoas, as oportunidades caminharem para longe. Sentar-se a margem da propria história também é bastante cansativo. Tem prazo de validade.


Tem tempo certo para refazer o que ainda não foi feito e despedir-se de certas saudades. Deixei minha infancia numa moldura de cor branca pra ver nessa lembrança o que pude ser. Meus pés me levaram para bem longe daquele rosto juvenil, da doçura de menina nos meus olhos. Minha molecagem, minha inocência ainda coexistem à parte mulher. Esse olhar retrospectivo me permite percorrer ainda em mim e sentir que o tempo passa... e que passou muito tempo.


Preciso de um silencio voluntário. Perdi um tempo precioso quando me perdi de mim...


Mas de que valeria a sapiencia se tambem não servisse para a perda. É nela onde se encontra o fim de certos caminhos ou até mesmo novos lugares. Ainda sinto falta daquele cheiro tão caracteristico de certas madrugadas onde minha insonia so me permitia ver ante os olhos a seção Curujão, esperando o sono adormecer meus sentidos, minhas ilusões.


Nestes ultimos dias me vi a frente de uma estrada margeada por um mar quase verde-azul com ondas cor de perola sob um sol amarelado destacando na imensidão de céu azul. Senti o gosto salgado nos lábios e uma fome de ir além.


Bebi um gole gelado. Prendi um pouco a respiração. Senti um pouco a vida se esvaindo... isso dá voracidade ao instinto de sobrevivencia. Lembrei do amar de alguem que estava longe de mim. Senti a saudade do nome dele, dos nossos planos, agora mais concretos. Pedi a Deus, uma proteção selestial, já que pouco ainda posso fazer. Queria um abraço... o conforto daquele rosto masculino.


Pertence-me agora um sentido novo. Ou seria novo sentido?


Pertence-me uma vontade de ir e ponto.


Olhar pra traz já não me cabe. É como uma roupa que já não serve mais. Preciso de novos trajes, novos nomes, novas saudades. Queria que fosse facil demais divorcia-se do passado, mas é nele onde se encontram as opções para o hoje.


E quando o segundo sol chegar... estarei olhando para o horizonte... Percorrendo-me.


Em circulos.


FRASE DA SEMANA

"Não é, porém a esperança, um cruzar os braços e esperar.

Movo-me na esperança enquanto luto,

e se luto com esperança,

espero. "

PAULO FREIRE

sexta-feira, 8 de maio de 2009

"Ei ... me liga!

Me diz os numeros, os absurdos que faltam na tua vida.

Me fala da minha, do que não vejo.

Divide um pouco os minutos nesta linha telefonica.

Para não parecer tão grande os quilimetros de distancia entre os nossos pés.

Deixe em paz meu coração. Preciso ouvir na tua voz, tua necessidade da minha.

O meu endereço não mudou. A pessoa em mim, quase nada. O mundo gira em sentido horário e as rotinas ja estão estabelecidas.

Deixa em mim aquele abraço antes de ir. Um desejo de boa noite, bons sonhos. Possiveis aos menos...

Preciso de um contato. De um interesse subto alheio, estranho, informal.

Trimmmmm... alô. Ops..."

A lua anda cheia... Cheia de si mesma.
Ainda rouba a luz... para se fazer faceira. Branca e faceira...

E hoje eu queria apenas um pouco do que me roubaram. Da minha paciencia perdida entre horas na fila de espera do trem. Sentada a beira da estação mas sem o bilhete comprado. Ainda esperando a escolha do destino. O bilhete...

Hoje apenas ter onde pudesse descançar a alma. Um suspiro fundo. Um abraço silencioso pelo que foi silenciado.

Apenas queria poder fazer de conta que o tempo pode retrosceder. Dispersar o unissono de sons de uma orquestra de pensamentos distanciados pelo espaço, tempo... um não com gosto de eterno sim.

Dizer-me que não será, hoje parece tão improvavel de acontecer... O sangue das veias é quente, por mais que tente a refrigeração dos meus sentidos.

Sinto falta de uma mesa de bar, um pouco do torpor, dos sorrisos de tanta gente que me tras reciprocidade... do que eu sou. Sinto a solidão se aninhando junto a mim, como um cobertor fino, tenue como os seu passos.

Sinto falta de liberdade de expressão!!! Dos palavroes escritos com dezenas de letras a ferro e fogo. Da minha intimidade violada pelas expectativas criadas e frustadas, sempre frustadas. Hoje sinto minha alma nua e fria.

Queria ser tanta coisa... Minhas raizes poldadas ainda pretendem algo sem formato. Eis tantas interrogações...explicações ainda me restam a dar. A tudo, a todos, ao tempo...

Forcei uma venda em meus olhos. Escrevi mais uma carta que vai incomodar... mas preciso das letras.
Escrevi uma música que não será cantada. Coleciono livros e discos... preciso deles para me afastar de mim.

(...)

sábado, 2 de maio de 2009

"Aprendi a não esperar muito do tempo... tampouco das pessoas e da ciranda de passos em torno de mim. Aprendi a lidar melhor com a esperança um pouco frágil que toma (hoje) de um jeito diferente os meus olhos antes de fecharem-se, quando ainda penso que tenho de dormir. Ultimamento apenas 'tenho que'. Virou quase um circulo vicioso essa minha estranha atitude de 'ter que'... Chego a ser severa comigo mesma na obrigação de não pensar nas provaveis escolhas, que na verdade nem são mais tão possiveis ou até necessárias...

Ao final de cada dia apenas pretendo ter cumprido minhas tarefas listadas numa folha de papel, rabiscada e re-quentada as vezes por um cafezinho e outro. Tenho pretendido ultimamente, cumprir apenas as tarefas que me dou. Acho que para não ter tanto tempo para pensar no tempo que passa pelos meus olhos, dia após dia...

Facilita-me o fato de ter que cumpri-las apenas, o que de certa forma me é confortável, afinal ao fim do dia criei, fiz e refiz, transformei o vazio em idéias mais uteis aos outros, usei o tempo a favor dele mesmo. Estranho... também me parece. A fuga de si mesmo as vezes toma para si diversas formas e máscaras... quando simplismente não se quer estar num mundo que abre todos os dias as janelas das verdades, mostrando que nada em absoluto é faz-de-conta.

Sobra-me a escuridão habitual das incetezas, de como será mais um dia, que surpresas virão, que desilusões terão forma e nomes. Sobram-me ainda argumentos... ao menos. Mas não tenho mais a espera como companhia. A efemeridade é quase instantanea assim como o brilho nos olhos que há tanto espero e que se esvai com a mesma velocidade da vinda, sem explicação para o tempo e para as circunstancias criadas, desejadas ou fulgazes... para a insonia que me deixa de presente.

Além de mim, não existe mais alguém... nem mesmo meu sobrenome quer dizer nada. As subdivisões que haviam em minh'alma se dissolveram. Nao tenho mais direitos. As escolhas foram feitas, a carta selada, a passagem marcada, de ida... não sei se haverá volta. Palavras que não serão proferidas. Prefiri não plantar mais desilusões quanto aos meus passos, atravessadas nos caminhos de outros. Basta-me o fim dado, por hora. Há triteza demais em minhas mãos, como sangue perfumado ainda pela piedade. Segue em mim apenas a certeza de que de nada poderei ter certeza...

Só depesso-me do meu olhar romantico demais. A militancia pelo prazer virou uma utopia sanguinária e hoje desnecessária. O idealismo do justo, da felicidade possivel, se tornou gotas de fumaça despersas no ar. Nem sempre a rotação segue o sentido horário e os olhares são em direções opostas. Resta-me apenas aceitar, tolerar. Num exercicio diário, de raciocinio não tão lógico, mas possivel.

Essa noite chove lá fora. E aqui dentro..."

terça-feira, 21 de abril de 2009

(...)

"Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se amava verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.
É porque eu não quis um amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda.

...

É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é.
É porque eu ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele.

...


Eu que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrario quero chamar de Deus. Eu que jamais me habituarei em mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse.
Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma...

...com uma terra menos violenta que eu."

...

E que eu use o meu formalismo que me afasta.

(...)

Clarice Lispector - Perdoando Deus in: Felicidade Clandestina

terça-feira, 14 de abril de 2009

ele é o meu olhar ao novo
um alimento para a alegria ressurgir
R-E-V-E-R-B-E-R-A-N-T-E !
sem uma sombra sequer...
falta-lhe descobrir meu mais novo segredo...

um século a mais seria pouco
para um reencontro
seria pouco tempo para dissipar
o riso mais concreto
que pousa nos lábios
quando sou o reflexo no seu olhar...

benditas minhas mãos que ainda alcançam
a tua bela estrada
bendita é a morada que fizestes nas tuas
na tua casa cheirando a jasmim
como em noites quentes de verão
seria eu quase nada
- despetalada -
ao abrigo da lua

não me resta
sobra!

um amor tão puro...

...tão meu...

... tão nosso...

esperando quase nada
desejando apenas sê-lo
e só assim
complementa-se
para ser ainda maior...

( à ele - um nome certo )
um minuto de sua atenção:
.
.
.

prestando um serviço discreto

sem modestia a duvida

sem parecer gentil em demasia

mesclando o 'inexato' e o 'todo'

sem intensidade nem rotações por minuto

sem esclarecimentos complementares

prestando um serviço terceiro

parecendo remecher sem mover um centimetro

esforçando-se para lembrar

o que já é vontade de esquecer

sentindo... sentidos...

versos soltos, sem conjunções

não são pedras de pontes

tampouco pensamento remendados

são vazios e só!

não há sentido no que já não se ouve

nem se canta a musica de uma nota só

não há voz para dar

não há mãos a doar-se

não há metrica

nem retorica no olhar...

prestando um serviço...

(ao tempo)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

meus dedos estão dormentes e frios
descalços
nus
e sombrios...

minhas ilusões perdidas
no tempo espaço
na dor
no frio dos teus olhos...

minhas mãos
sós
sangrando ainda a perda
da minha verdade

aplaudem por hora
as mentiras
o chão perdido...
...a porta ficou aberta
não moro mais...

onde será
onde estarão
minhas digitais
- de mentira -
- de verdade -
sem respostas
sem volta
?

um verbete assim
quase sem jeito
obscuro
não mais segredo
mas vazio...
"Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz"

(Tocando em frente - Almir Sater)

segunda-feira, 16 de março de 2009

.

não participo desse trajeto sinuoso
desenho apenas as curvas
.
dos precipicios que ainda habitam
desenho a queda ou a vontade de ir
.
receio a festa vinda dos teus olhos
da atenção que fere como arma desatina
.
refaço o gosto dos teus labios
do prazer efemero mas nem tão pouco instantaneo
.
marcado o sacrificio, deixo que a facilidade se esvaia
encaro a dificuldade como pedra e degrau
.
mesclando o doce e o amrago
fazendo da presença tua entre os meus pensamentos um pedido, uma ilusão diária
.
na escuridão de tantas noites minhas
escondo meus olhos cansados e negros
.
para não ter que habitar no teu leito a minha desesperada vontade de ir
numa viagem sem regresso, sem destino
.
espero ainda o alvorecer, uma resposta a carta não enviada
palavras sozinhas, borradas e fáceis
.
contendo apenas uma unica mensagem
contida em tres figuras escritar
.
presisei amar sozinha para descobrir que a embriagues só esconde a tristeza
para descobrir que o teto é de vidro e a alegria é falsa...

.

(dando tempo devido
ao tempo
ao acaso
ao que presumo ser mais constante
do que questionavel...)

quinta-feira, 12 de março de 2009

na penumbra dessa noite...

num castelo rodeado de idéias soltas
dança aberta
de peito e alma aberta
num salão de rosas vermelhas
vinte-e-sete delas
cheirando insistentemente
exalando desesperadamente um pedido
um segredo
o mundo construido de silencios
e argumentos feitos de palavras vagas
frases incabadas
sem qualquer ligação
absorvida pelo arrastar lento dos minutos
cheios de segundos confundidos pela
provavel relatividade
aliás... nem tanto assim
ferir-se mortamente todos os dias
na ansia de mais um suspiro de sol e de lua
filosofia de lua
de calendarios, de registro em hora e minuto
nas rodas de um carro
parado
espreitando a minha quase insignificante existencia vil
pobre mas muito convicta
convicção que fere os ouvidos
de quem prefere complicar o que nunca foi tão complicado assim
tomando-se o direito ao qual nunca foi dado
o direito de ter medo por ter apenas
um mundo novo
aberto aos olhos
tudo tão velho e desbotado
mas com roupas limpas e cheirando ao outono que se aproxima
prefiro pular o inverno
basta-me os dias de chuva dentro de mim
calor, muito calor por favor
e pouca retorica
pra se fazer bem o 'sem sentido'
um grandississimo mal-entendido
nada de definições por enquanto
apenas a saudade... já incomoda bastante
...já se faz como a dose diária de loucura
mandando e desmandando
na minha incurável insonia
cujo sobrenome é: 'ausencia'
abandono-a, mas...
incansavelmente
intoleravelmente
companheira, jaz!
são mais uns tijolos de construção
palavras soltas, livres!
um presente
um gracejo
um riso fino, mas que transborda no olhar
mesmo de longe... bem longe...tão perto
tão vivo...
minhas unhas ainda são de rubrar cor
do desejo mais profundo e confuso
do brilho dourado
do laço quebrado, quase cinza
perecível!!!
insolito ainda é o teu nome
sem formato
sem razão para existir
marias são só marias
uma unica
nem deusa
nem dama
nem fêmea
apenas maria de si
apenas um nome
um jeito
uma mulher
num castelo em construção (ou reforma?)
prefiro uma ausencia bem grande de mim
para dar espaço
mais espaço para o vazio
tornar-se cheio...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

não senti medo...
apenas reparo ao redor
ouço o som do tempo arrastando-se porta a fora
e não sinto medo
de atravessar desertos dentro de mim
e viver solitariamente a tristeza de meus pensamentos
presos ainda, amaldiçoados
como paralelepipedos pesados
de pés encharcados

não sinto medo
não mais...
de ser autora-atriz de minha propria historia
sem 'conto-de-fadas'
'sem faz-de-conta, um dia desses...'

perdi o medo ou deixei-o partir?

aquele medo que me fazia fugir de meus proprios olhos
de ter que fugir dos meus sentimentos...

agora há tempo
muito e todo o tempo necessario
para não lembrar que o medo existiu
mas não me ronda
nem chateia minhas manhãs
ainda um tanto insolitas
mas soluveis
um pouco mais concretas
cheias de raios de nova luz
onde deixo a criança livre brincar
como o vento em meus cabelos
como os teus dedos desesperados entre os meus

há muito tempo
para não sentir medo
não dar adjetivos a qualquer ausencia
deixar que o simples resvalar de cada lágrima
apenas se refaça em um dia passado
em fragmentos de uma alma
em reconstrução
edificação do novo
tudo novo

faço cosegas na vida
e o meu sorriso não tem recheio de duvidas!

e
eu
apenas
não sinto mais
medo
de
mim

(...)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

>>>>>

se eu tivesse outros olhos para ver

uma nova chance

um começo

tanta coisa pra querer

nada para gastar

nada para sair do lugar

nada para sair no jornal

tudo de novo

a mesma historia

quando não estou

... só mais uma chance

recomeço e ponto

nada além de um novo tempo a chegar

tempo para uma nova pessoa

onde não vou

nem estou

não pretender

... olhar pela janela e ver

ainda distante

silenciosamente

a noite morrer

para o dia a nascer...

<<<<<

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

CARNAVAL

meu corpo ferve
ao som dos claris
da marcha de mais um frevo
do calor de todo um povo
que brinda a alegria
de libertar as máscaras
fantasias
do sapo a principe
de anjo a deus
desafiando em passos freneticos
a alegria
se seria possivel
transborda-la assim

mas é carnaval
e me diga quem é você
ou quem sou eu?

não, não me diga...

deixa que misture-nos a massa
onde a triteza é falida
e o vil metal
tem cheiro de 'tesoura'
rasgando ruas e salões
becos iluminados na madrugada
de rostos pintados
figurantes e solistas do canto
inundado pelos rios do Recife

meu carnaval vem vestido de brisa
num vestido de flor amarela
com fitas e laços
de mãos dadas com a certeza
que a festa tem nome
e é a companheira da minha solidão

deixa apenas o meu corpo dançar
junto ao teu
sem obrigação de ritmo
sem obrigação de perfeição
deixa os paralelepipedos forrerem nossas ruas
enchendo-nos os confetes e serpentinas
do tempero de carnaval
de mais um ano!
hoje acordei sob a luz fraca de um sol preguiçoso
deixando minha cama
ainda mais silenciosa de desejos
deixando-me presa num redemoinho de anseios
lembrei:
esqueci de trancar a porta
algum ladrão deve ter passado por aqui
surrupiado dias inteiros de gracejos
tão facéis que brotavam nas maçãs de meu rosto
levou embora um restinho de folia
riscada em meus pés
deixou apenas a sala de minha casa vazia,
fria e vazia...

varri em tanto pouco tempo
a poeira riscada de meus pés
andarilho

cheio de defeitos
maqueados pelo tempo

da minha vida interior
(ou seria anterior?)
pouco ou quase nada restou
pouco de minha figuração paralela
quase nada das minhas reais digitais
devolvo ao algoz
minhas sinceras considerações
um tanto inapropriadas para o momento
mas pertinente a falta de culpa
a falta de qualquer consideração
a morada minha

usurparam minha alegria
dei-a...
esqueci o cadeado de minh'alma
a porta abriu
e foi tudo embora...
tudo o que um dia tive entre as mãos
espalhou-se ao vento
disfarçado de vida...

... o sol ainda espirra mais um dia...
... a tentativa de mais um.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Vi tantos passos guiados na euforia
Sem saber onde havia o começo, o meio e o fim
Embraralhando
atropelando-se
nos proprio pés
nos proprios
nos meus-seus sapatos dormentes
adormecidos neste dias de chuva de verão
invisivel chuva
imovel gota da ponta do céu
inexplorável desdém do destino
nessa estação parada
fechada
de fachada, da cor do muro de nossas vidas enevoadas...

Sentido, teu rosto tão sentido
pela minha cruel e egoista
necessidade de não andar mais
ficar assim parada
vendo o tempo passar
e deixar-me levar
pelo breu dos becos escuros da minh'alma
desnuda
fria
crua
sem explicações para nenhuma interrogação
sem nenhum pudor nem direito a tê-lo
nunca mais...

Zelo pelo teu sapato
para que não fique um rastro cinza
da minha companhia descabida
desnecessária
temida por mim apenas
temido está - inseparável de mim
zelo para não te por pedras no calçado
não sê-las na calçada de tuas 'ruas'...

Peço-te ainda um breve abrigo
da luz que ofusca incansavelmente meus olhos
já tão cansados
tão enterrados na escuridão
do meu vil ego - sem - centro
Peço-te encarecidamente teu endereço
um lar
um sossego
uma provável paz
a chance de reave-la...

Presentei-a-me com teus laços dados nos meus cadarços
Laços dos meus nos teus
Presenteia-me com a tua vida
Mais um sopro
a vontade de me levares amarrada
aos teus passos já dados
e/ou que serão
sem abandono
de uma historia
que ainda pode ser do conto
que contaremos juntos...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

ALMA NUA

"Ó Pai
Não deixes que façam de mim
O que da pedra tu fizestes
E que a fria luz da razão
Não cale o azul da aura que me vestes
Dá-me leveza nas mãos
Faze de mim um nobre domador
Laçando acordes e versos
Dispersos no tempo
Pro templo do amor
Que se eu tiver que ficar nu
Hei de envolver-me em pura poesia
E dela farei minha casa, minha asa
Loucura de cada dia
Dá-me o silêncio da noite
Pra ouvir o sapo namorar a lua
Dá-me direito ao açoite
Ao ócio, ao cio
À vadiagem pela rua
Deixa-me perder a hora
Pra ter tempo de encontrar a rima
Ver o mundo de dentro pra fora
E a beleza que aflora de baixo pra cima
Ó meu Pai, dá-me o direito
De dizer coisas sem sentido
De não ter que ser perfeito
Pretérito, sujeito, artigo definido
De me apaixonar todo dia
De ser mais jovem que meu filho
E ir aprendendo com ele
A magia de nunca perder o brilho
Virar os dados do destino
De me contradizer, de não ter meta
Me reinventar, ser meu próprio Deus
Viver menino, morrer poeta"

(Vander Lee)
"queria ter tempo
para colher
as cinzas de mim..."
(...)

Um silêncio e só...
nada de melodia sem nexo
nada de filosofia
nem poesia
nada de mim
para nada
para ninguém

Outro dia pensei que não veria o amanhecer...
...duvida cruel...
duvidar de que a luz volta a surgir
e romper a escuridão que se apossa
dos olhos de quem vela a noite
Duvidas minhas...
solitariamente fechada
sem retorica alguma
sem face
na face da melancolia
o que não pode ser mudado
e mudo está!

Meus desejos de papel
queimados e desligados da tomada do
corre-corre do
dia-a-dia
de minhas letras embaralhadas e baratas

... sem qualquer fundamentação teórica e prática... sem elo...

Meu vestido azul anda solto e sozinho
cheio de 'vazios'
cheio de rastros
cheio de um tamanho minusculo de mim
das pedrinhas de tantos sapatos
junto-as e levo comigo...

Consigo anda preso meu olhar mais distante
mais um fleter desprendido
um silencio
uma letra inacabada
de um texto qualquer
sem retrato
nem forma
- preto e branco-
como um 'nada' para ninguém...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

encostado em meu peito
senti um coração
palpitando tão fortemente
rapidamente
como se quisesse
e pudesse unir-se ao meu.
as mãos tão frias
que procuravam fundir-se as minhas
e me dar um céu estrelado
o mais estrelado.
ele buscava a minha paz
e eu queria apenas ser a dele...
nas suas letras transbordava
a agonia, a doçura de um bem-querer
uma casa para mim já feita
já pintada com as cores
do mais puro amor...

é tua a minha morada
chegando aqui, habitasses
construisses meu chão
meu(s) caminho(s)
que tomas como teus...

espera!
o tempo esta em contagem regressiva
mas cheio de certezas!
Nesse solene dia
apareceu um sobra inquieta
atras de mim
enquanto caminhava
pela alameda de 'minhas ruas'
Uma sombra sem forma
furta-cor
Silenciosamente
discretamente movia-se...
Permaneci inerte por tantos
por poucos
por quase nada
nada que me fez
mais nada.

Arrasta-se sem fim
sem sentido
minha companhia diaria
dispensavel consciencia
pesada
lenta
um trem em estrada de ferro
mas em movimento...

Peço-lhe um palpite:
um novo nome.

Quem sabe faço essa
a minha mascara de carnaval
e brindo
e brinco
com passos-dados
passo-combinados
e brindo
e brinco
com os dias que se sucederão?

(o sol do meio-do-dia ajuda a esquecer
que em mim vive uma sombra...
...ela some, por um momento ela some
basta-me um olhar...)
Eu ainda acredito
que o dia pode ter mais calor
que meu pequeno mundo
ainda tem uma chance a mais

acredito que é possivel

ele me provou... o tempo...

nas lágrimas
na dor explicita nos olhos
no sabor de um amor incondicional...

impossivel, impossivel!

ainda grito
ainda permaneço quietinha
observado o improvável
de boca aberta
a espera de 'não sei mais de nada'

surpreenda-se! é vida, é real!

tenho medo de acordar
e ver que tudo é apenas um sonho
de uma noite mal dormida
de uma insonia mal curada...

Como é doce
o amor que ainda acredito, recebo...
Puro, direto e
com nome e sobrenome.

ainda acredito que posso merecer...
...um dia mais florido...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

PROMESSAS

NESSE ANO EU...


não sei bem o que me espera.

pretendo não confabular mil e uma ilusões

quer dizer, dois-mil-e-nove destas.

poderia até quem sabe escrever uma listinha... mas,

meu rol de necessidades (seriam mesmo?)

se estenderia por quilimetros de incertezas.

penso então poder dizer pequenas palavras

ao meu coração

a tanto já sem viver no mundo fantastico

de historias

de contos de fada.

penso pedir-lhe calma!

o dia tem seu crepusculo garantido!

ainda estou entre o céu e a terra,

tenho muita espera pela frente...

penso em dizer-lhe baixinho que pouca coisa restou...

mas muito mais ainda existe!



promessas a que?

a quem?

para mim, nem tanto assim.

quero um sono bem profundo

a respiração calma

a satisfeita dor de cabeça do meu trabalho

o bom-dia, o boa-tarde e o boa-noite

desejos... muitos desejos partidos de mim

meus pes descalços no final do dia

lençois limpos,

a barba que arranha de alguem que me quer bem

o cheiro do jasmim em noite de verão

quero a chuva forte e o trovão

quero minhas letras no papel

quero as tuas letras

quero não prometer nada a mim

quero apenas uma chance...

... será?