num castelo rodeado de idéias soltas
dança aberta
de peito e alma aberta
num salão de rosas vermelhas
vinte-e-sete delas
cheirando insistentemente
exalando desesperadamente um pedido
um segredo
o mundo construido de silencios
e argumentos feitos de palavras vagas
frases incabadas
sem qualquer ligação
absorvida pelo arrastar lento dos minutos
cheios de segundos confundidos pela
provavel relatividade
aliás... nem tanto assim
ferir-se mortamente todos os dias
na ansia de mais um suspiro de sol e de lua
filosofia de lua
de calendarios, de registro em hora e minuto
nas rodas de um carro
parado
espreitando a minha quase insignificante existencia vil
pobre mas muito convicta
convicção que fere os ouvidos
de quem prefere complicar o que nunca foi tão complicado assim
tomando-se o direito ao qual nunca foi dado
o direito de ter medo por ter apenas
um mundo novo
aberto aos olhos
tudo tão velho e desbotado
mas com roupas limpas e cheirando ao outono que se aproxima
prefiro pular o inverno
basta-me os dias de chuva dentro de mim
calor, muito calor por favor
e pouca retorica
pra se fazer bem o 'sem sentido'
um grandississimo mal-entendido
nada de definições por enquanto
apenas a saudade... já incomoda bastante
...já se faz como a dose diária de loucura
mandando e desmandando
na minha incurável insonia
cujo sobrenome é: 'ausencia'
abandono-a, mas...
incansavelmente
intoleravelmente
companheira, jaz!
são mais uns tijolos de construção
palavras soltas, livres!
um presente
um gracejo
um riso fino, mas que transborda no olhar
mesmo de longe... bem longe...tão perto
tão vivo...
minhas unhas ainda são de rubrar cor
do desejo mais profundo e confuso
do brilho dourado
do laço quebrado, quase cinza
perecível!!!
insolito ainda é o teu nome
sem formato
sem razão para existir
marias são só marias
uma unica
nem deusa
nem dama
nem fêmea
apenas maria de si
apenas um nome
um jeito
uma mulher
num castelo em construção (ou reforma?)
prefiro uma ausencia bem grande de mim
para dar espaço
mais espaço para o vazio
tornar-se cheio...
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