terça-feira, 21 de abril de 2009

(...)

"Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se amava verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.
É porque eu não quis um amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda.

...

É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é.
É porque eu ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele.

...


Eu que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrario quero chamar de Deus. Eu que jamais me habituarei em mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse.
Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma...

...com uma terra menos violenta que eu."

...

E que eu use o meu formalismo que me afasta.

(...)

Clarice Lispector - Perdoando Deus in: Felicidade Clandestina

terça-feira, 14 de abril de 2009

ele é o meu olhar ao novo
um alimento para a alegria ressurgir
R-E-V-E-R-B-E-R-A-N-T-E !
sem uma sombra sequer...
falta-lhe descobrir meu mais novo segredo...

um século a mais seria pouco
para um reencontro
seria pouco tempo para dissipar
o riso mais concreto
que pousa nos lábios
quando sou o reflexo no seu olhar...

benditas minhas mãos que ainda alcançam
a tua bela estrada
bendita é a morada que fizestes nas tuas
na tua casa cheirando a jasmim
como em noites quentes de verão
seria eu quase nada
- despetalada -
ao abrigo da lua

não me resta
sobra!

um amor tão puro...

...tão meu...

... tão nosso...

esperando quase nada
desejando apenas sê-lo
e só assim
complementa-se
para ser ainda maior...

( à ele - um nome certo )
um minuto de sua atenção:
.
.
.

prestando um serviço discreto

sem modestia a duvida

sem parecer gentil em demasia

mesclando o 'inexato' e o 'todo'

sem intensidade nem rotações por minuto

sem esclarecimentos complementares

prestando um serviço terceiro

parecendo remecher sem mover um centimetro

esforçando-se para lembrar

o que já é vontade de esquecer

sentindo... sentidos...

versos soltos, sem conjunções

não são pedras de pontes

tampouco pensamento remendados

são vazios e só!

não há sentido no que já não se ouve

nem se canta a musica de uma nota só

não há voz para dar

não há mãos a doar-se

não há metrica

nem retorica no olhar...

prestando um serviço...

(ao tempo)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

meus dedos estão dormentes e frios
descalços
nus
e sombrios...

minhas ilusões perdidas
no tempo espaço
na dor
no frio dos teus olhos...

minhas mãos
sós
sangrando ainda a perda
da minha verdade

aplaudem por hora
as mentiras
o chão perdido...
...a porta ficou aberta
não moro mais...

onde será
onde estarão
minhas digitais
- de mentira -
- de verdade -
sem respostas
sem volta
?

um verbete assim
quase sem jeito
obscuro
não mais segredo
mas vazio...
"Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz"

(Tocando em frente - Almir Sater)