sábado, 18 de julho de 2009

Entre aspas


"intrepido olhar de um anjo
de brilho fosco
sob as nuvens de um cé acinzentado...
passei pela ponte e ainda via o sol escondendo-se para a noite sair
me vi nele
quietinha, escondendo os olhos
sob o oculos
sob a escuridão fria de um canto qualquer de minh'alma

um assobio ouvido de longe
acordou-me daquele marejar
indo e vindo
sob o vai-e-vem da cidade cheia de arrecifes

queria também arrecifes para certas coisas
para não deixar o mar bravo de certos dias
de certas marés de lua cheia
abater-me sem piedade

nesse dia tão sem sentidos
senti uma falta
de algo tão indefinido
senti falta acho que de mim mesma...

não consegui cantar nenhuma canção de ponta de lingua
há tanto tempo não sinto a amizade num daqueles abraços apertados
sair sem rumo e direção, sem prestação de contas

percebi que não devo mais nada a mim mesma...

e via apenas os carros
e onibus
e caminhões
e tratores passarem por mim
quase um atropelamento

meus cinquentas-e-tantos-sapatos
não me servem
tenho apenas dois pés
e eles não me bastam
o chão, a areia e o vento necessitam de mim
e eu deles

entre aspas: preciso de mim...
...de um reencontro
a sós
e com tempo suficiente
só um tempo...

...para ver o sol se por mais um dia
na beira do rio
da minha cidade
e suas pontes."

terça-feira, 7 de julho de 2009

...

A LUA HOJE ESTÁ CHEIA
CHEIA DE SI
BRANCA
E NUA

...

E EU
BRANCA
VESTIDA
E VAZIA DE MIM

...
Esperava por ela havia tempo...
Esperava que ela me olhasse apenas um pouco
E logo depois esquecesse de mim
Por um período não muito longo
Nem muito curto
Para não transparecer minha ansiedade por vê-la
.
Desejava
Desejava...
.
E ela veio
Ela chegou
De salto alto
Cabelos soltos, ao vento
Cintura fina e costas delicadas
Minhas as mãos
Dadas, entre dedos
Entre as margens de um rio
De aguas imisciveis
.
Ela era
De um nome comum
Numa manhã cinza
De teto cor-de-céu
.
Ela sorriu
Sorrateira e despediu-se
Para sabe lá na esquina de minha vida
Desfazer mais uma espera
[a esperança sorriu pra mim
ela me fez um pedido
- ... veja-se!]

A DEVASSA

"numa conversa meio de viés
ele falou
na conversa de pé de ouvido
ele falou
que gostava
que queria
que a chamava quando ninguém ouvia
ele disse
o que até então só os olhos falavam
ele beijou
seus pés pequeninos
enquanto a ouvia
ouvia o seu querer
entre suas pernas
saia o som
a voz do desejo súbito
súbito e permanente
tão paradoxo quanto
tão necessário tanto
e nas suas pupilas dilatadas
e na sua respiração ofegante
ele dizia
dizia...
... o que ela pedia
exigia ser
unicamente
sob os espelhos
no quarto fechado a sete chaves
chaves de aço e segredo
ele dizia sem terminar a palavra por inteiro
sem respirar
que ela era dele
e nada mais..."

[ela só fazia de conta
as vezes só se escondia
para não ser despida demais
mas ele descobriu o seu maior segredo...]
o cansaço se revela na dor em cada musculo
a cada centimetro
em cada passo, cada palavra lida
cada visão oculta de mim

melhor que ir é poder voltar atrás

sem tempo definido, nem historia para re-contar

mesmo sem querer muito
sem certeza para escrever aqui
é bom ainda voltar-se atras e redefinir
ou definir de novo

precisei de mais e novas letras de música
um pouco de melodias velhas, confesso
mas inéditas para meu ouvido a um tempo surdo
precisei do calor de um antigo abraço
que parece que ainda se perpetua
e tenta me enganar que não precisa do meu

e o trabalho me cansa
o que eu não quero mais
o que não sei se me quer
o tempo que ainda repassa o imposto que preciso pagar

queria o "fácil"

alguém pode ceder-me?

para não ser um excesso de absurdo
me disfarço de menina
as vezes até de mulher
para minha mascara "bunitinha"
de porcelana branca
para ludibriar o "cobrador de impostos"
seja ele de definições, decisões ou desilusões...