terça-feira, 22 de setembro de 2009

... e as metáforas tão particularmente minhas...

"E quem entende de poesia?"

"Eu não meu senhor!"

Eu brinco apenas com as palavras malfadadas depois de um dia que quase não se acaba!
E me chamam de louca, louca e cheia de devaneios absurdos!
E me dizem: um, que é apenas besteria; outro, que 'adora' as minhas letras!

Entenda que me transporto a um lugar mais desconhecido
Pertinho de um asteroide, vizinho ao do seu vizinho!
Permito-me apenas ecrever cartas sem endereço definido
Para falar entre-linhas do saudosismo do que jamais fui...

E o que é a poesia senão a forma absurda de criar um contexto para o que não se ver, não se toca, apenas se sente...
E o que a poesia senão o mais concreto abstrato
A falta de absurdo e a libdinosidade disfarçada de pudor, de amor

Se tudo e todos no fundo carecem de palavr-as ou -ões!

Se todo mundo carece de um verso malcriado e abandonado entre os lábios, lençois, confetes e serpentinas
O que seria da dor e do amor sem a fonetica amplificada de um poema sofrido ou arrancado de olhos entumecidos

O que seria de um ser que só se vê diante de páginas
em livros pequenos
sussurados a beira de uma madrugada qualquer?

Seria eu mais mortal se de mim tirassem
o remédio
o martelo
o anel esquecido...

... e as metáforas tão particularmente minhas...

[à minha amiga Amalita
a poetisa das escaladas verticais
e de letras e versos e poesia
no sangue, na força e na corda bamba dessa vida!
Vou ainda nesse asteróide!]
o comentario não ficaria sem uma homenagem 'by me'


"Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi:
não soubeque ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo."

(Pablo Neruda)
[ à raiz de um sorriso...
que só particularmente pertence a mim...
... em 22.09, hoje é seu e meu...]

terça-feira, 8 de setembro de 2009

sinto um leve enjoo...
aumentando, aumentando, circulante nas veias
um gosto de fel nos lábios
desilusões nos olhos foscos

hoje a lua esta minguante
assim como o meu espirito que se esvazia...

sinto uma tristeza que daria para dividir com o mundo inteiro...

que afungenta meus desejos
tira meu sono
esmaga com o que me restou de gente
de gente...

não sinto força nenhuma que possa mover mais um suplicio
mais uma ultima respiração
minhas mãos e palpebras estão cansadas demais...
... não consigo mais lamentar, insipida permaneço...

hoje só queria escrever linhas de dor...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

sÓ pOr HoJe...

...

A onda ainda quebra na praia,
Espumas se misturam com o vento.
No dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sentindo saudades do que não foi
Lembrando até do que eu não vivi
pensando nós dois.

Eu lembro a concha em seu ouvido,
Trazendo o barulho do mar na areia.
No dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sozinho olhando o sol morrer
Por entre as ruínas de santa cruz lembrando nós dois

Os edifícios abandonados,
As estradas sem ninguém,
Óleo queimado, as vigas na areia,
A lua nascendo por entre os fios dos teus cabelos,
Por entre os dedos da minha mão passaram certezas e dúvidas

Pois no dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sozinho no mundo, sem ter ninguém,
O último homem no dia em que o sol morreu

...

(o ultimo por-do-sol - lenine)

pReCiSaVa dE uM pOuCo
Do SeU oLhAr
dE eM mUiTo
dE vOcÊ
pRa MiM...
... sÓ pOr HoJe...
eu sei
seu que não preciso saber muito
eu sei que pouco preciso saber
que "saber" nem sempre se sabe
seu real significado
sua dimensão mais proxima
mais condizente com as palavras
perdidas pelo falso estado de sapiencia

hoje eu sei
que preciso saber um pouco menos
sorver vez ou outra a abstração
para não ser sugado pelo olho-gordo
que se avizinha
que espera um minuto de distração
do sim, de: "sim sim senhor!"

preciso saber um pouco menos de mim para não me assutar com meus proprios olhos
cegos... inertes...
para esquecer um pouco de você
saber que não necessito mais de nenhuma aprovação danosa
erva danosa a minha maxima expressividade
a maxima das minhas atitudes
nem sempre conservadas em um pote de vidro

saber menos... ou parecer?

resposta: saber menos

saber mais as vezes é como uma torta recheada de desilusões... camadas e camadas...

hoje prefiro não me esconder como um invisível presente, a espiar... só espiar
ora, que graça isso tem!

preciso só saber menos
para libertar minha alma
deixar-me dançar conforme uma brisa quente
do verão que já se anuncia
sem necessariamente ter que apertar sua mão
daqueles quem nem olham para mim
só por simples educação

então não preciso saber nem mais um pouquinho
de nada... nem do que incomoda
nem do que me apetece
os desejos são voluveis - aprendi
assim como pessoas movidas apenas por desejos
estas são as verdadeiras partes descartaveis do mundo

eu preciso saber um pouco menos
para saber que não sei quase nada
e nem por isso entrar em desespero!
preciso apenas do necessario... viver!