não senti medo...
apenas reparo ao redor
ouço o som do tempo arrastando-se porta a fora
e não sinto medo
de atravessar desertos dentro de mim
e viver solitariamente a tristeza de meus pensamentos
presos ainda, amaldiçoados
como paralelepipedos pesados
de pés encharcados
não sinto medo
não mais...
de ser autora-atriz de minha propria historia
sem 'conto-de-fadas'
'sem faz-de-conta, um dia desses...'
perdi o medo ou deixei-o partir?
aquele medo que me fazia fugir de meus proprios olhos
de ter que fugir dos meus sentimentos...
agora há tempo
muito e todo o tempo necessario
para não lembrar que o medo existiu
mas não me ronda
nem chateia minhas manhãs
ainda um tanto insolitas
mas soluveis
um pouco mais concretas
cheias de raios de nova luz
onde deixo a criança livre brincar
como o vento em meus cabelos
como os teus dedos desesperados entre os meus
há muito tempo
para não sentir medo
não dar adjetivos a qualquer ausencia
deixar que o simples resvalar de cada lágrima
apenas se refaça em um dia passado
em fragmentos de uma alma
em reconstrução
edificação do novo
tudo novo
faço cosegas na vida
e o meu sorriso não tem recheio de duvidas!
e
eu
apenas
não sinto mais
medo
de
mim
(...)
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