hoje acordei sob a luz fraca de um sol preguiçoso
deixando minha cama
ainda mais silenciosa de desejos
deixando-me presa num redemoinho de anseios
lembrei:
esqueci de trancar a porta
algum ladrão deve ter passado por aqui
surrupiado dias inteiros de gracejos
tão facéis que brotavam nas maçãs de meu rosto
levou embora um restinho de folia
riscada em meus pés
deixou apenas a sala de minha casa vazia,
fria e vazia...
varri em tanto pouco tempo
a poeira riscada de meus pés
andarilho
só
cheio de defeitos
maqueados pelo tempo
da minha vida interior
(ou seria anterior?)
pouco ou quase nada restou
pouco de minha figuração paralela
quase nada das minhas reais digitais
devolvo ao algoz
minhas sinceras considerações
um tanto inapropriadas para o momento
mas pertinente a falta de culpa
a falta de qualquer consideração
a morada minha
usurparam minha alegria
dei-a...
esqueci o cadeado de minh'alma
a porta abriu
e foi tudo embora...
tudo o que um dia tive entre as mãos
espalhou-se ao vento
disfarçado de vida...
... o sol ainda espirra mais um dia...
... a tentativa de mais um.
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