Vi tantos passos guiados na euforia
Sem saber onde havia o começo, o meio e o fim
Embraralhando
atropelando-se
nos proprio pés
nos proprios
nos meus-seus sapatos dormentes
adormecidos neste dias de chuva de verão
invisivel chuva
imovel gota da ponta do céu
inexplorável desdém do destino
nessa estação parada
fechada
de fachada, da cor do muro de nossas vidas enevoadas...
Sentido, teu rosto tão sentido
pela minha cruel e egoista
necessidade de não andar mais
ficar assim parada
vendo o tempo passar
e deixar-me levar
pelo breu dos becos escuros da minh'alma
desnuda
fria
crua
sem explicações para nenhuma interrogação
sem nenhum pudor nem direito a tê-lo
nunca mais...
Zelo pelo teu sapato
para que não fique um rastro cinza
da minha companhia descabida
desnecessária
temida por mim apenas
temido está - inseparável de mim
zelo para não te por pedras no calçado
não sê-las na calçada de tuas 'ruas'...
Peço-te ainda um breve abrigo
da luz que ofusca incansavelmente meus olhos
já tão cansados
tão enterrados na escuridão
do meu vil ego - sem - centro
Peço-te encarecidamente teu endereço
um lar
um sossego
uma provável paz
a chance de reave-la...
Presentei-a-me com teus laços dados nos meus cadarços
Laços dos meus nos teus
Presenteia-me com a tua vida
Mais um sopro
a vontade de me levares amarrada
aos teus passos já dados
e/ou que serão
sem abandono
de uma historia
que ainda pode ser do conto
que contaremos juntos...
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