meu corpo ferve
ao som dos claris
da marcha de mais um frevo
do calor de todo um povo
que brinda a alegria
de libertar as máscaras
fantasias
do sapo a principe
de anjo a deus
desafiando em passos freneticos
a alegria
se seria possivel
transborda-la assim
mas é carnaval
e me diga quem é você
ou quem sou eu?
não, não me diga...
deixa que misture-nos a massa
onde a triteza é falida
e o vil metal
tem cheiro de 'tesoura'
rasgando ruas e salões
becos iluminados na madrugada
de rostos pintados
figurantes e solistas do canto
inundado pelos rios do Recife
meu carnaval vem vestido de brisa
num vestido de flor amarela
com fitas e laços
de mãos dadas com a certeza
que a festa tem nome
e é a companheira da minha solidão
deixa apenas o meu corpo dançar
junto ao teu
sem obrigação de ritmo
sem obrigação de perfeição
deixa os paralelepipedos forrerem nossas ruas
enchendo-nos os confetes e serpentinas
do tempero de carnaval
de mais um ano!
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