terça-feira, 4 de agosto de 2009

comprei um poema.

era pequenininho
do tamanho do meu interior
dizia breves palavras
diretas

imudeceram ainda mais o meu silêncio
que sempre se acha que o lado pior
é o nosso lado

mas a metade do meu copo ainda está cheio...
a sede porém, permanece maior
que esse poema
comprado ao acaso
na casa de ruas perdidas

e à meia-noite
o meu gato dormia ao meu pé
numa felicidade silenciosa

que inveja!

não consigo dormir
nem silenciar meus insistentes
reberverantes pensamentos
há uma perseguissão solitaria
de mim contra mim (não sei se assassinei o portugues)

sinto falta do poder matriarcal que rege minha casa
engraçado como não se pode devolver a saudade
até de desentendimentos corriqueiros
sinto falta
de tantas lembranças boas
do que já não é mais e nem cabe nesse poeminha
fajuto e pequenino
comprado num brecho de velharias
de velhos dias

falta-me o poder da mudança...

estou cansada
pobre de espirito
e com medo de sentir frio...

esse poema não tem devolução
é escolha de uma mão
faz de um canteiro de flores abandonado
uma visão recolhida...

e eu que pensei que poderia
comprar o que minha alma precisa!

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