São tão pequenas as coisas que podem trazer felicidade. As vezes apenas olhar o mar pode ser suficiente alimento para alma, para mais um por-de-sol. Essencialmente necessario é poder encontrar na imensidão de tantos formatos de coisas, palavras e circunstancias esse pequenos motivos.
Percebo um barulho vindo de longe... mas perece-me cada vez mais perto. Parece ser de transformação, uma nova mudança. Acho que meus pensamentos estão tomando novos rumos, deixando as escolhas passadas no passado. Respiro ar puro.
O que era uma lembraça constante, hoje dá espaço ao novo, a nova esperança, a não esparar sentada vendo o tempo, as pessoas, as oportunidades caminharem para longe. Sentar-se a margem da propria história também é bastante cansativo. Tem prazo de validade.
Tem tempo certo para refazer o que ainda não foi feito e despedir-se de certas saudades. Deixei minha infancia numa moldura de cor branca pra ver nessa lembrança o que pude ser. Meus pés me levaram para bem longe daquele rosto juvenil, da doçura de menina nos meus olhos. Minha molecagem, minha inocência ainda coexistem à parte mulher. Esse olhar retrospectivo me permite percorrer ainda em mim e sentir que o tempo passa... e que passou muito tempo.
Preciso de um silencio voluntário. Perdi um tempo precioso quando me perdi de mim...
Mas de que valeria a sapiencia se tambem não servisse para a perda. É nela onde se encontra o fim de certos caminhos ou até mesmo novos lugares. Ainda sinto falta daquele cheiro tão caracteristico de certas madrugadas onde minha insonia so me permitia ver ante os olhos a seção Curujão, esperando o sono adormecer meus sentidos, minhas ilusões.
Nestes ultimos dias me vi a frente de uma estrada margeada por um mar quase verde-azul com ondas cor de perola sob um sol amarelado destacando na imensidão de céu azul. Senti o gosto salgado nos lábios e uma fome de ir além.
Bebi um gole gelado. Prendi um pouco a respiração. Senti um pouco a vida se esvaindo... isso dá voracidade ao instinto de sobrevivencia. Lembrei do amar de alguem que estava longe de mim. Senti a saudade do nome dele, dos nossos planos, agora mais concretos. Pedi a Deus, uma proteção selestial, já que pouco ainda posso fazer. Queria um abraço... o conforto daquele rosto masculino.
Pertence-me agora um sentido novo. Ou seria novo sentido?
Pertence-me uma vontade de ir e ponto.
Olhar pra traz já não me cabe. É como uma roupa que já não serve mais. Preciso de novos trajes, novos nomes, novas saudades. Queria que fosse facil demais divorcia-se do passado, mas é nele onde se encontram as opções para o hoje.
E quando o segundo sol chegar... estarei olhando para o horizonte... Percorrendo-me.
Em circulos.

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