A lua anda cheia... Cheia de si mesma.
Ainda rouba a luz... para se fazer faceira. Branca e faceira...
E hoje eu queria apenas um pouco do que me roubaram. Da minha paciencia perdida entre horas na fila de espera do trem. Sentada a beira da estação mas sem o bilhete comprado. Ainda esperando a escolha do destino. O bilhete...
Hoje apenas ter onde pudesse descançar a alma. Um suspiro fundo. Um abraço silencioso pelo que foi silenciado.
Apenas queria poder fazer de conta que o tempo pode retrosceder. Dispersar o unissono de sons de uma orquestra de pensamentos distanciados pelo espaço, tempo... um não com gosto de eterno sim.
Dizer-me que não será, hoje parece tão improvavel de acontecer... O sangue das veias é quente, por mais que tente a refrigeração dos meus sentidos.
Sinto falta de uma mesa de bar, um pouco do torpor, dos sorrisos de tanta gente que me tras reciprocidade... do que eu sou. Sinto a solidão se aninhando junto a mim, como um cobertor fino, tenue como os seu passos.
Sinto falta de liberdade de expressão!!! Dos palavroes escritos com dezenas de letras a ferro e fogo. Da minha intimidade violada pelas expectativas criadas e frustadas, sempre frustadas. Hoje sinto minha alma nua e fria.
Queria ser tanta coisa... Minhas raizes poldadas ainda pretendem algo sem formato. Eis tantas interrogações...explicações ainda me restam a dar. A tudo, a todos, ao tempo...
Forcei uma venda em meus olhos. Escrevi mais uma carta que vai incomodar... mas preciso das letras.
Escrevi uma música que não será cantada. Coleciono livros e discos... preciso deles para me afastar de mim.
(...)
sexta-feira, 8 de maio de 2009
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