sábado, 2 de maio de 2009

"Aprendi a não esperar muito do tempo... tampouco das pessoas e da ciranda de passos em torno de mim. Aprendi a lidar melhor com a esperança um pouco frágil que toma (hoje) de um jeito diferente os meus olhos antes de fecharem-se, quando ainda penso que tenho de dormir. Ultimamento apenas 'tenho que'. Virou quase um circulo vicioso essa minha estranha atitude de 'ter que'... Chego a ser severa comigo mesma na obrigação de não pensar nas provaveis escolhas, que na verdade nem são mais tão possiveis ou até necessárias...

Ao final de cada dia apenas pretendo ter cumprido minhas tarefas listadas numa folha de papel, rabiscada e re-quentada as vezes por um cafezinho e outro. Tenho pretendido ultimamente, cumprir apenas as tarefas que me dou. Acho que para não ter tanto tempo para pensar no tempo que passa pelos meus olhos, dia após dia...

Facilita-me o fato de ter que cumpri-las apenas, o que de certa forma me é confortável, afinal ao fim do dia criei, fiz e refiz, transformei o vazio em idéias mais uteis aos outros, usei o tempo a favor dele mesmo. Estranho... também me parece. A fuga de si mesmo as vezes toma para si diversas formas e máscaras... quando simplismente não se quer estar num mundo que abre todos os dias as janelas das verdades, mostrando que nada em absoluto é faz-de-conta.

Sobra-me a escuridão habitual das incetezas, de como será mais um dia, que surpresas virão, que desilusões terão forma e nomes. Sobram-me ainda argumentos... ao menos. Mas não tenho mais a espera como companhia. A efemeridade é quase instantanea assim como o brilho nos olhos que há tanto espero e que se esvai com a mesma velocidade da vinda, sem explicação para o tempo e para as circunstancias criadas, desejadas ou fulgazes... para a insonia que me deixa de presente.

Além de mim, não existe mais alguém... nem mesmo meu sobrenome quer dizer nada. As subdivisões que haviam em minh'alma se dissolveram. Nao tenho mais direitos. As escolhas foram feitas, a carta selada, a passagem marcada, de ida... não sei se haverá volta. Palavras que não serão proferidas. Prefiri não plantar mais desilusões quanto aos meus passos, atravessadas nos caminhos de outros. Basta-me o fim dado, por hora. Há triteza demais em minhas mãos, como sangue perfumado ainda pela piedade. Segue em mim apenas a certeza de que de nada poderei ter certeza...

Só depesso-me do meu olhar romantico demais. A militancia pelo prazer virou uma utopia sanguinária e hoje desnecessária. O idealismo do justo, da felicidade possivel, se tornou gotas de fumaça despersas no ar. Nem sempre a rotação segue o sentido horário e os olhares são em direções opostas. Resta-me apenas aceitar, tolerar. Num exercicio diário, de raciocinio não tão lógico, mas possivel.

Essa noite chove lá fora. E aqui dentro..."

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