domingo, 7 de dezembro de 2008

pensando pouco e baixinho
planejo ainda os minutos que me restam
não sei para que ou para quem
deixo meu epitáfio pronto, escrito e guardado a 7 chaves
espero que não o usem
não fala em nada
em nada do que me pareço
do que me vêem
santificada, sacrificada, justificada
seriam as pernas minhas
ou muletas que me carregaram
mas não explicam
deduzem...
seria mesmo facil demais enxergar além do horizonte
deveras impossivel
deveras chato demais
perdeia o sentido do inatingivel
assim como já o é 'definir-se'
a quem quer que seja...

e para que então rasgar-se assim a tantos olhos
tantos e tantos que nem sei onde podem chegar
todas as letras
aqui
ali
talvez queira ser redudante para meus proprios olhos
quem sabe o que jaz frutifica?
quem sabe possa perpetuar algo
plantar uma arvore que seja
que postuma seja!

bebi um gole da forte água destilada
para cortar minhas viceras
fazer de mim
ou dar-me minutos a menos
ou até sob efeito da violenta alegria instatanea
fingir que o que se tem é vida
ou mais um ato da peça, ainda
não completamente escrita
não completamente acabadinha

não me julgues
sou um pobre senhor contruido de velhos sonhos e falsas ideologias
querendo um doce para não morrer de fome cedo demais
para não fechar os olhos da manhã
que chega daqui mais um pouco
para descontruir
reconstruir
um interior da casa minha
um pouco e tanto, teto tanto desabado...

sinto cheiro de café novo
vou sentar a beira da porta de casa
o vento ainda sopra
no vazio da rua...

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