quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

hoje me misturei a multidão
para disfarçar a ausência que sinto
de algo que ficou tão distante
incompleto

para disfarçar a tristeza
que tirou o brilho do meu olhar ( o que todos me dizem...)
deixando apenas poucos suspiros
e nem um passo adiante

misturei-me a tantos rostos estranhos
para me esconder
da lua cheia no alto do céu
tão completamente cheia

passei despercebida
mais uma alma perdida
entre os vultos
entre os carros indo e vindo
em pensamentos vagos
envolta pela luta contra meus maiores pecados (e melhores!)

doce é a solidão
que se tem no meio de tanta gente
sentir-se mais um
mais nada

doce é poder olhar os próprios passos
e sentir o amargo
o gosto amargo de não poder para-los

pedi a lua para andar
no mesmo ritmo que passam os minutos dessa noite
um palpite: não sei se ela me ouviu
mandei um recado
para bem longe
e acho que chegará em breve...

por hora quero apenas o sono profundo
para despedir-me desse finado dia
o dia tão triste como as gotas do inverno
que não caem
mas estão dentro de mim...

(pretendo o esquecimento...
...mas hoje ele não me pretende...
...nem de mim,
nem de quase nada,
nem das últimas palavras...
as três...)

Nenhum comentário: