para disfarçar a ausência que sinto
de algo que ficou tão distante
incompleto
para disfarçar a tristeza
que tirou o brilho do meu olhar ( o que todos me dizem...)
deixando apenas poucos suspiros
e nem um passo adiante
misturei-me a tantos rostos estranhos
para me esconder
da lua cheia no alto do céu
tão completamente cheia
passei despercebida
mais uma alma perdida
entre os vultos
entre os carros indo e vindo
em pensamentos vagos
envolta pela luta contra meus maiores pecados (e melhores!)
doce é a solidão
que se tem no meio de tanta gente
sentir-se mais um
mais nada
doce é poder olhar os próprios passos
e sentir o amargo
o gosto amargo de não poder para-los
pedi a lua para andar
no mesmo ritmo que passam os minutos dessa noite
um palpite: não sei se ela me ouviu
mandei um recado
para bem longe
e acho que chegará em breve...
por hora quero apenas o sono profundo
para despedir-me desse finado dia
o dia tão triste como as gotas do inverno
que não caem
mas estão dentro de mim...
(pretendo o esquecimento...
...mas hoje ele não me pretende...
...nem de mim,
nem de quase nada,
nem das últimas palavras...
as três...)
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