
Meus pés de palhaço
Olhando o tempo passar
Entre um espirro e outro (gripe!)
Entre um olhar e outro
Entro e saio de mim...
Paulatinamente, estudo
Pacientemente, revejo
O recorte de um ser vil
Que em nada
Imita a arte
De ser além do que realmente se vê
Tentei enxergar o céu hoje...
Só um pouquinho
Só um tiquinho
Só uma nuvem com forma de maçã
Mas ficou dificil
Ficou realmente dificil
A luz do sol as escondia
Por fechar meus olhos
Por sua intensa 'intensidade-luminosa'
As vezes a luz fecha os olhos...
... as vezes não se enxerga por excesso!
E todos me diziam:
"Vá-se embora menina!
O dia hoje não é teu!
Vá-se enterrar em tua morada,
Tua beleza hoje não é luz
Tua boca não pintasse de vermelho
Teus olhos perecem de desejos..."
E vesti meus pés de palhaço
de como quando ainda tinha a inocencia entre as mãos
de como quando um dia ria-me de tudo
vesti-me do vento...
da pipoca doce na panela quente
do cheiro do meu pai
da sua ausencia permanente...
vesti-me dos sorrisos de tantos
de todos do meu caminho
vesti-me do cuidado de alguém
do meu-bem-querer
vesti-me de menina com os olhos vendados
As vezes ficar cego é necessário
é quando se enxerga verdadeiramente!
E então a nuvem apareceu
ela tinha a forma que eu queria dar
ela tinha a forma de uma saudade
que mesmo deixando para tras
insiste em virar um 'siamés'
Meu gato me olhou e sorriu...
ele sorriu com seus olhos
os olhos de gato
de 7 vidas
de 7 chances
de 70
marias em mim!!
Deixa-me usar meus pés de palhaço!!
É rindo de si
que as vezes se esquece a obrigação de ser feliz!!
Meu pezinho... humrum...
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